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Sozinho num feed cheio de gente

Tem dias em que abro o Instagram, percorro alguns minutos de feed e fecho com uma sensação que demorei a nomear: solidão. Todos parecem estar lá. Eu, não.

Lembro de 2010, quando tive a oportunidade de comprar um iPhone 3GS (uma aventura que merece tópico próprio). Naquela época, o Instagram era um aplicativo jovem e o feed era um lugar simples: fotos de pratos de comida, “ta pago” na academia, uma infinidade de hashtags que mal acompanhei. Era cafona e era honesto. Quem não tinha smartphone me perguntava: “o que tu faz tanto nesse telefone?!”.

Quinze anos depois, o Instagram virou um “metaversinho”, parafraseando a iniciativa da Meta de unir todos num ciberespaço. Cada visita parece um briefing: onde está ciclana, o que fulano está comendo, que viagem beltrana fez. Não é mais um lugar para mostrar o dia: é um lugar para mostrar que se tem um dia digno de ser mostrado.

Eu mal entro. Não tenho notificação para nada. Tenho um acordo com algumas pessoas: “mandou um post e ele é realmente MUITO BOM, me avisa no WhatsApp”. E mesmo entrando pouco, basta um deslize para a conta voltar: tem muita gente lá, e parece que só eu não estou.

O X (antigo Twitter) é o que mais frequento, mas com parcimônia. Acompanhar futebol é divertido, e as postagens com ironia e sarcasmo são o que temos de melhor em entretenimento gratuito. Mas a maioria das pessoas com quem realmente converso toda semana não está nem ali. Está em conversa privada, em grupo pequeno, em ligação.

A vida real saiu do feed. Migrou para canais fechados. WhatsApp, telefonema, encontro presencial. O que sobrou exposto é uma vitrine de uma sociabilidade que praticamente ninguém vive de fato.

A solidão que sinto no Instagram não é a de quem está de fora. É a de quem está olhando para uma vitrine. E vitrine não conversa.

Salve!