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O naufrágio de não partir

“O maior naufrágio do navio é ficar atracado no porto.” Quem disse foi Banzai (ou Edson Matsuo, como constava no contrato) numa reunião sobre o projeto Pox, lá na Bode. Estávamos discutindo o que era necessário para o produto sair do papel quando ele soltou isso. A conversa continuou, mas eu fiquei preso na frase.

Quantas vezes pensamos demais naquela pequena ideia e nunca a tiramos do papel? Quantas vezes fiz over-engineering sobre alguns projetos que pareciam tão promissores e nunca tiveram a oportunidade de sair do meu computador? Pensei nessas micro sabotagens na qual eu mesmo me envolvi muitas vezes na minha vida. Nos expormos e apresentarmos nossas ideias pode parecer tão bobo, mas vivendo percebi que isso é um passo tão importante. Às vezes fico pensando, o que seria da minha vida se não tivesse lançado o Muambator naquele final de semana? Será que o Wiimunity teria um sucesso mundial (mesmo nunca tendo saído do meu computador)?

Essas experiências me ensinaram que apresentar uma ideia incompleta vale mais do que guardar uma ideia perfeita. Quantas vezes perdi oportunidades incríveis por estar confortável e com medo? Hoje prefiro me atirar. Erro muito mais do que acerto. Mas preciso ter coragem para continuar errando e aprendendo sempre.

O que me fez soltar as amarras, nas poucas vezes que consegui, não foi coragem. Foi desconforto maior do que o medo. O Muambator saiu num fim de semana porque eu estava mais incomodado com a ideia parada do que com o risco de ela fracassar. Essa virada de chave é pequena, mas é tudo.

A frase ficou comigo não porque é bonita — ficou porque dói um pouco toda vez que lembro dela. Toda vez que penso num projeto que ficou no Notion, numa conversa que ainda não tive, num plano esperando o momento perfeito que nunca chega. O porto mais perigoso não é o que aparece no mapa. É o que a gente mesmo construiu.

Salve!