Confissões de um rockeirinho caçador de faixas
Eu sempre gostei de música. Desde pequeno observava minha mãe botar os discos no toca-discos e focava no som que saía da agulha, acompanhando as faixas do bolacão.
Quando começou minha adolescência, lembro das festinhas de garagem, nas quais tínhamos o rito da dança com as coleguinhas. Tinha também o momento de passar a vassoura, no qual um menino segurava o objeto, e depois de andar pelo “salão” repassava o objeto a outro rapaz, e então iniciava a dança. E nesse momento foi a primeira vez que lembro de ter gostado muito de Roxette.
Capão da Canoa, início dos anos 90. Os camelôs ainda ficavam ao lado da igreja matriz. Certa tarde de sábado, depois de ser obrigado a ir na missa pela minha mãe, resolvi desencantar e tentar comprar uma fita cassete do Roxette. E aqui começa o martírio: se meu inglês hoje é ruim, imagina naquela época!? Fui de banca em banca, tentando cantar alguns trechos de “Spending My Time”. Óbvio que foi um fracasso. Mas uma banca me apresentou a fita, comprei e fui feliz para casa escutar. Observação importante: eu tinha tão pouca manha de vida que, quando li na caixa da fita cassete “contém 4 faixas brinde”, jurei que eram 4 faixas de pano pra amarrar na cabeça e demonstrar minha admiração pela banda. Percebi que as melodias de guitarra me traziam uma sensação de liberdade, e preferia isso a um violão e aquelas músicas paradas do Julio Iglesias que minha mãe ouvia.
Numa época em que não existia internet, nem Napster, nem Spotify e muito menos Shazam, eu gostava de escutar o rádio na esperança de pegar minha música de vida preferida: “Sultans Of Swing” do Dire Straits. Quando tocava eu ficava super empolgado. Até que um dia, ajudando meu tio a lavar o carro na frente da casa da minha mãe, a música começou a tocar e comentei com ele: “eu amo essa música, mas não sei o nome”. Ele falou que não sabia o nome, mas que com certeza era da banda Dire Straits. Tempos depois, mesmo sem ter aparelho de CD em casa, numa viagem a Caxias do Sul, fui até uma loja de discos, falei com o atendente e ele me apresentou o CD. Juntei todos os trocados da minha mesada e comprei o CD (Dire Straits - Money For Nothing). Demorou alguns anos até chegar o computador lá em casa, mas enquanto isso eu levava o CD para a casa dos meus amigos e pedia para tocar. Meu amigo Vitor também fez uma cópia da música para uma fita cassete, que me permitia escutar em loop. Os primeiros bons solos de guitarra ficam marcados pra sempre né?
Já com internet (discada, para que fique bem claro), teve a temporada dos arquivos MIDIs. Para os novatos, os arquivos MIDIs são arquivos de músicas digitais, que não possuem voz, e geralmente são muito pequenos. Lembro que num disquete de 1,44 MBs entravam centenas de músicas! Costumava acessar sites que publicavam esses arquivos e baixava tudo no GetRight. Como eram centenas (ou talvez milhares) de arquivos por noite, o importante era baixar rápido; organizar vinha depois. Com calma, eu olhava cada um deles e via se a melodia já tinha sido escutada: foi uma forma na qual consegui conhecer muitos nomes de músicas que eu não conhecia. Mais tarde, com a chegada do ADSL, foram convertidos para MP3.
Um pouco mais velho, conheci o Audiogalaxy. E, de quebra, conheci também o Edson, basicamente um Shazam em pessoa em Capão da Canoa. Quando estava em algum show em Capão, uma música que eu gostava era tocada, e o Edson estava por perto, sempre chegava nele e perguntava. E um ponto interessante: ele respondia na hora, como se fosse um insane cache de todas as músicas. Um dia falei que tinha um som do Black Crowes que era insano de bom, e no mesmo momento ele me respondeu: “Remedy”! Lembro que a última que questionei foi “We Close Our Eyes” do Oingo Boingo. Era muito divertido fazer esses tipos de questões para ele. Certa vez ele pediu pra eu fazer o download via Audiogalaxy de um cover do Ramones, “I wanna be sedated”, interpretado pela banda Wilco. Que música phoda, mas nunca mais consegui achar o arquivo. Se você tiver, me manda aí por favor!
Atualmente o Shazam é um grande companheiro nesses momentos em que toca aquele rockzão. Várias músicas se fazem presente na minha biblioteca do Shazam, pois geralmente costumo armazenar na minha memória os momentos em que escutei as músicas na primeira vez. Aí que a tecnologia começa a nos orientar e resolver um velho problema! Infelizmente nunca aprendi a tocar nenhum instrumento musical, mas o que seria da vida sem as músicas que me acompanharam nos momentos bons e ruins? E por melhor que o Shazam seja, gosto muito daquele papo aleatório com amigos para descobrir bandas e músicas novas. E falando nisso, que banda e música você me indicaria?
Salve!