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Amanhã é dia dos pais

Meus queridos e amados filhos estão crescendo rápido. Este sábado, véspera do dia dos pais, me lembrou como era esse fim de semana num passado não tão distante. Desde o início do mês, as propagandas na TV, os anúncios nos jornais e as atividades da escola já traziam aquela melancolia e saudade: era hora de enfrentar o final de semana mais duro do ano.

Eu perdi meu pai no dia 21/12/1986. Neste ano farão 4 décadas que ele se foi. Apesar de ter apenas 4 anos, ainda consigo guardar algumas lembranças dele. E sinto muito por ter esquecido o tom de sua voz, o seu cheiro, e até o lugar que ele gostava de sentar à mesa. Pra quem não passou por isso, tudo bem. É só um desabafo. Escrevo aqui para tentar criar pontes no futuro com meus filhos.

Ser criança nos anos 80 era hardcore. Outro dia escrevo especificamente sobre isso. Mas o bullying, a malandragem e a necessidade de aprovação me trouxeram até aqui. Quando vou “tosar a juba” com meu barbeiro, o Silas, costumamos conversar muito sobre isso, no que definimos como “nosso lugar de fala”. Silas não teve a oportunidade de ter um pai presente. Costumamos falar sobre como foi aprender a pescar, a fazer um bom churrasco, a jogar bola, a andar de bicicleta: qualquer pessoa pode te ensinar isso hoje em dia, mas acredite, nos anos 80 e 90 isso era uma tarefa quase que exclusivamente masculina.

O mundo girou. Girou muito. Tenho dois filhos maravilhosos, e hoje confesso que fico até ansioso com esta data. Não ligo para os comerciais: não sou pai para ganhar presente. Eu sou pai para estar presente. Chico e Bebs me permitem reconstruir pedaços da minha vida que nunca vivi. E isso não é um band-aid: é uma neuro-cirurgia.

Ontem tive um dia difícil na vida pessoal. Sofri um pequeno acidente de carro (nada grave, somente danos materiais), mas que me trouxe um pouco de tristeza. Depois da colisão, o culpado desceu do carro e disse como primeira frase: “eu não tenho dinheiro para pagar”. Não perguntou se tinha feridos, não se preocupou em dar boa tarde. E em seguida disse: “a culpa é sua, pois estava muito rápido”. Eu fiquei na defensiva (como sempre costumo fazer depois da chegada dos filhotes), mas tudo bem.

Foi então que fui buscar meus filhos na escola. E eles me trouxeram atividades que fizeram para o dia dos pais. No mesmo instante esqueci de tudo que tinha vivido no dia até ali. Estava tão feliz com aquelas mãozinhas pintadas, com aquelas fotos, aquelas mensagens. Foi tudo que eu precisava para saber que amo minha vida e minha família.

O que quero dizer com isso tudo? Não deixe para amanhã para se aproximar do seu pai. Não esqueça de reforçar o quão importante ele é para você. Meu coração sangrou muito tempo por não poder falar isso pessoalmente para o meu coroa. O tempo pode ser o melhor remédio, mas na dose certa e com as mudanças certas na vida.

Aos meus filhos, quero que, se um dia lerem essa publicação, saibam que são a razão da minha vida. Que vocês são o maior presente que eu poderia ter recebido. Que eu os amo incondicionalmente, e que sempre que estiverem no caminho do bem estarei orgulhoso de vocês.

Ao meu querido pai Mario, quero explicitar que, mesmo não estando mais fisicamente ao meu lado, eu te amo. E sinto muita saudade.

Salve!